Diabetes exige cuidados especiais com a pele
 

Pele ressecada e mais vulnerável a infecções por bactérias e fungos, geralmente com manchas escuras e baixa capacidade cicatrização: este é o quadro de pessoas com diabetes. Doença crônica e sem cura, o diabetes é caracterizado por altos níveis de glicose (açúcar) no sangue, devido a deficiências na produção de insulina pelo pâncreas. E uma das ações da glicose é justamente “roubar” a água da pele, tornando-a seca, irritada e desprotegida. Além disso, a insulina é fundamental para o funcionamento dos queracinócitos, que são as células presentes na epiderme responsáveis pela produção de queratina.

“Pacientes com diabetes precisam ter um cuidado adicional com a pele, principalmente dos pés, que também sofrem mais com as alterações vasculares causadas pela doença”, explica a doutora Natalia Cymrot, médica dermatologista formada pela Universidade de São Paulo (USP) que atende na Zona Oeste da capital paulista.

Embora o risco de complicações na pele causadas pelo diabetes seja alto, é possível preveni-lo com uma rotina de cuidados relativamente simples. Confira:

ATENÇÃO REDOBRADA À PELE

É essencial que diabéticos façam acompanhamento de rotina com um médico dermatologista, pois este é o profissional mais qualificado para diagnosticar problemas de pele ao menor sinal de alerta e prescrever os métodos de prevenção e tratamento mais eficazes para cada caso. Entre as doenças dermatológicas facilitadas pelo diabetes, estão: psoríase, dermopatia diabética (manchas acastanhadas na pele), cantosis nigricans (que provoca lesões acinzentadas) e necrobiose lipoídica (mais rara, é um distúrbio que provoca degeneração do colágeno).
Além disso, é muito importante que a pessoa com diabetes examine diariamente sua própria pele. “Um dos efeitos do diabetes é reduzir a sensibilidade da pele, então é provável que o paciente não sinta dor se houver um corte ou lesão. Como a pele do diabético é mais vulnerável a infecções e sua cicatrização é prejudicada, a ferida pode evoluir rapidamente”, alerta a dra. Natalia Cymrot.

HIGIENIZAÇÃO

A pele requer cuidado redobrado na higienização. A recomendação é que pessoas com diabetes utilizem sabonete neutro, de preferência líquido e sem perfume, e evitem o uso de bucha. Após o banho, é fundamental enxugar bem a pele (sem esfregá-la com a toalha, para evitar lesões por atrito) a fim de prevenir infecções.

HIDRATAÇÃO E PROTEÇÃO

A hidratação da pele é muito importante para combater o ressecamento causado pelo diabetes. O momento ideal para para hidratar o corpo é após o banho, quando a pele úmida absorve melhor a água do creme, mas é necessário reaplicá-lo sempre que sentir que a pele está ressecada. Cremes de hidratação profunda hipoalergênicos e sem perfume são os ideais, e é aconselhável utilizar um creme específico para os pés (existem, inclusive, hidratantes desenvolvidos especialmente para diabéticos). “Assim como para qualquer paciente, a recomendação é aplicar protetor solar após a hidratação, para proteger a pele da radiação ultravioleta”, afirma a dra. Natalia Cymrot.

PÉS

Como a pele dos pés é especialmente sensível, pessoas com diabetes devem estar atentas ao tipo de calçado. Hoje, o mercado oferece diversas linhas especiais para pés diabéticos, sem costuras salientes ou formas que apertem os dedos, por exemplo. Calosidades e bolhas devem ser evitadas, mas, se aparecerem, o ideal é consultar o dermatologista.
A higienização e a hidratação adequadas dos pés são essenciais. Além disso, é preciso ter cuidado redobrado ao cortar as unhas, evitando profissionais de pedicure ou podologia não qualificados.

HÁBITOS SAUDÁVEIS

Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes indicam que mais de 13 milhões de brasileiros entre 20 e 79 anos de idade têm diabetes, e esse número deve chegar a 24 milhões até 2045. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o maior aumento de casos é do diabetes tipo 2, causado por fatores comportamentais, como sedentarismo, alimentação inadequada, alcoolismo e tabagismo. Dieta balanceada, prática regular de atividade física e não fumar são as medidas mais eficazes de prevenção e controle do diabetes tipo 2.